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Wabi-Sabi – Imperfeitamente Perfeito!

Amor ao tosco, ao imperfeito, ao simples e belo

Toda a filosofia, entendimento, aceitação e visão do mundo geradora do secular conceito japonês, de origem budista, Wabi-Sabi é de uma poesia emocionante, de uma sensibilidade extraordinária e de um olhar raro que, hoje mais do que nunca, devem ser acarinhados e protegidos. Devia mesmo haver códigos de conduta, regras, leis se preciso fosse, para salvaguardar esta abordagem da vida, do humano, da Natureza e da estética, e cartilhas que as promovessem, desde logo, nas escolas. Partindo de uma abordagem estética abrangente que valoriza a aceitação da transitoriedade e da imperfeição de tudo o que tem existência, o Wabi-Sabi faz o elogio da passagem do tempo, das marcas que este vai deixando pelos caminhos e por aqueles com quem se cruza. Abarca um olhar limpo e puro, despretensioso e despojado, mas atento, que vê a imperfeição e a adjetiva de perfeita.

O conceito Wabi-Sabi, cuja mais curta, abreviada e bonita descrição a ele se refere como sendo o belo “imperfeito, impermanente e incompleto” não é apenas uma enraizada idealização estética ou artística nascida no Japão, ela aglutina e incorpora um modo de vida, uma forma inclusiva e bondosa, se quisermos, de experimentar o mundo e as coisas que nele habitam. Sem preconceitos, sem erros de avaliação. Liga-se, desde sempre, à simplicidade, ao despojamento e à valorização do processo em detrimento do resultado. Razão pela qual todo o resultado é potencialmente belo, ou é-o de facto, se nele se investiu com amor e trabalho manual e individual. É o apreço pelo artesanal, por aquilo que nasce de nós para nós, a que nos dedicamos com alma e paixão. Com amor, portanto. Algo que se parte não está perdido, menos ainda se torna feio. Pelo contrário, é reparado, curado e fica ainda mais belo, pois conta uma história de afeto e dedicação. Wabi-Sabi ama a mão despretensiosa e a matéria rude e vê elegância em formas toscas ou pouco talentosas que resultam dessa união, porque o maior talento é o da aceitação, o de se capacitar com beleza algo onde esta pode não ser óbvia, mas onde há, inegavelmente beleza. É ligar-se afetivamente a coisas que manifestam à superfície o uso a que foram e estão sujeitas.

É o puxador polido pelo diário contacto com a mão e a madeira rachada por ter rido tanto tempo ao sol. Este apreço deu origem a técnicas ancestrais de reparação das porcelanas, por exemplo, recuperadas com ‘cola’ de ouro, que se funde nas rachas – segundo uma delicada técnica que dá pelos nomes de Kintsugi ou Kintsukuroi, que em português se pode traduzir por ‘emenda de ouro’ ou ‘reparo com ouro’ –, tornando a peça ainda mais valiosa na perspetiva Wabi-Sabi. Uma abordagem inclusiva, a do Wabi-Sabi, que aprecia a assimetria, a aspereza, as rugosidades e todas as ‘imperfeições’ que tornam única e irrepetível uma peça, uma coisa. Um colo que afaga a simplicidade, a austeridade, a modéstia, o espartano, o rústico, o velho, gasto e usado, uma rudimentar e básica paleta monocromática, que não vai mais longe do que a cor dos próprios materiais, e um colo que embala ainda o carinho por processos rudimentares de fazer e de saber, capazes de trazer de volta à vida e ao uso aquilo que, para tantos outros – quase todos os outros, na verdade – já não tinha préstimo, valor ou serventia.

É a estética do singelo, que valoriza procedimentos manuais, naturais e sem ostentações vãs. É enaltecer a autenticidade das matérias e a sua natureza, bem como o trajeto percorrido. É o tão celebrado despojamento nipónico, a delicadeza que coloca no ato de servir, os outos e as coisas e de respeitar os que já viveram muito. De os apreciar em silêncio, de apreciar a sua singular beleza. É encontrar a felicidade e o belo no imperfeito, no incompleto, no insuficiente, até. Uma visão estética que eleva o rústico e o comum ao excecional e ao essencial, que acolhe o danificado e com ele se relaciona intimamente, dedicando-lhe tempo, atenção e trabalho manual. Respeita-se a natureza da matéria, que cede ao passar das horas, e entende-se a necessidade de reparação e não a urgência de deitar fora e comprar de novo. Uma racha, falha ou imperfeição passa a ser uma subtileza, uma mais-valia, um episódio da memória, um elo do tempo. E isso, tudo isso, como começámos por dizer, é viver em poesia. É viver em respeito e em amor. Porque só remenda quem cuida e só cuida quem ama.

Wabi, que significa quietude e Sabi, cuja tradução nos dá simplicidade, aproxima-se do conceito de slow living, do respeito pela Natureza, pela exclusão do desperdício, ou da boa gestão dos recursos, da necessidade de abrandar o ritmo e apreciar processos e modos de fazer menos agressivos e poluentes. No fundo, por formas de ser, estar, pensar e fazer mais felizes e consentâneas com as necessidades e com os ciclos na Natureza, da biologia, em conformidade e consonância com o ecossistema. Desde este patamar de quietude e simplicidade, ritualizado na cerimónia do chá, tudo se respeita, tudo tem valor estético, tudo tem potencial e nova hipótese de brilhar ainda mais, tal como os troncos de madeira dos nossos candeeiros de mesa e de pé Light It Be, também eles carregados de marcas, cicatrizes e memórias temporais, de coisas que já foram, e que já viveram.

Nesta estética, ornamentais e singelos arranjos de flores e plantas secas fazem o mesmo elogio que o ouro que serpenteia por entre porcelanas restauradas, o jardim zen é um braço do paraíso, o bonsai um grandioso projeto de vida, a madeira pouco tratada é acarinhada e tudo aquilo que parece menor se afigura suficiente e, acima de tudo, belo. É encontrar exatamente aquilo de que necessitamos naquilo que, por norma, os outros rejeitam, renegam ou deixam de lado. Wabi-Sabi agrega ainda a ausência de vergonha por aquilo que cada marca implica, que cada imperfeição acarreta, que cada coisa significa ou significou. É o modesto orgulho em ser-se e apresentar-se tal como se é. Isto também é arte.

A nossa Oficina da Luz, como lhe chamamos, também é Wabi-Sabi e slow design. Nela também reconhecemos o belo em madeira inutilizada, também descobrimos novos futuros para quinquilharia de outras áreas, também nos apaixonamos por formas, materiais e processos que não aspiram a outra perfeição que não a imperfeita. Porque os candeeiros Light It Be são isso mesmo, imperfeitamente perfeitos. Quem os souber ‘escutar’ também vai ouvir deles muitas histórias de aventuras passadas e futuras e quem deles gostar vai sempre gostar de tudo neles.

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