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Design orgânico e natural

Linhas, formas e matéria

Design orgânico é aquele que, na conceção de linhas, contornos e limites de uma peça acautela a fluidez de movimentos naturais, curvilíneos e ergonómicos que elevam a um estatuto mais dinâmico, agradável e próximo da natureza as suas produções, os seus objetos, a sua arquitetura. Privilegia texturas, arcos e materiais nobres e aproxima-os do manuseamento humano, promovendo conforto sem descurar a funcionalidade ou propósito do objeto, seja ele uma peça decorativa, um utilitário de todos os dias ou uma casa. Opõe-se diametralmente ao brutalismo e ao funcionalismo, sem necessariamente exponenciar o desnecessário ou o adereço. Também aqui há minimalismo formal, também aqui reina a simplicidade, porém a sua origem natural e orgânica, torna-os mais ricos, agradáveis e exuberantes. Mais próximos, portanto. Limita-se a orientar-se por linhas, e formas que contemplam arcos e contornos naturais, fluídos, curvilíneos e, se quisermos, sensuais e sedutores. Uma expressão que, em arquitetura, resulta em espaços que entram em diálogo aberto com o exterior, as paisagens, vegetação e relevo circundantes, com eles estabelecendo uma narrativa una e harmoniosa. Acontece quando a mão do Homem não se quer impor mais do que o necessário, respeitando o papel de convidado e não de anfitrião de um lugar, que muito antes dele era de outras coisas. Utilizam-se pedras, madeiras e materiais que não chocam com o meio ambiente. Volumetrias celulares. Não se trata de subserviência, antes de inteligência pura, pois são esses materiais aqueles que se apresentam como os mais indicados, que a Natureza percebe bem mais de engenharia e materiais de construção do que o Homem, como é bom de perceber. Obedece, afinal, a critérios ancestrais segundo os quais os nossos antepassados, alguns não tão passados assim, sempre construíram.

Mais natural, mais puro, mais belo

Em terras de xisto, é certo que essa pedra sabe bem melhor do que outros materiais como lidar com os rigores do clima e os caprichos das suas amplitudes térmicas. Formas ancestrais, orgânicas, naturais e sustentáveis de fazer. Métodos que permitem às estruturas fundirem-se com a paisagem, sem imposições ou vãs vaidades, de assinatura ou outras. Nesta disciplina, a arquitetura, Frank Lloyd Wright – com os seus incríveis projetos, de que a Casa da Cascata é o maior cartão de visita – deu o mote daquilo que não tardou a designar-se design orgânico, mas que, na verdade, é a mais milenar e lógica forma de criar e agir, e a primeira usada pelo Homem. Uma cascata é incorporada numa casa, a vegetação local é convidada a intervir no traçado e é vista como elemento integrante – com voz ativa e participativa, por direito e usucapião – não como adversário ou antagonista do propósito ou da visão humana. Tudo se interliga e integra. Tudo comunica. Tudo é uno. Daí a geometria do ângulo reto ser um atrevimento que fere e afronta as formas orgânicas reinantes. Tudo se molda e arredonda. Tudo se amorna, na verdade. Homem e Natureza. Pessoas e ambiente. O resultado são estruturas, objetos e formas que parecem saídas da terra e não apostas sem consideração. Outra forma de dizer tudo isto é afirmar, sem soluços ou hesitações, que o design orgânico e natural é aquele que toma espontânea e reverentemente a Natureza como inspiração. O olhar não fica preso nas paredes de casa e salta em liberdade para a rua através de paredes de vidro, permeáveis à Natureza lá fora, às árvores e ao céu. Busca-se a leveza, imita-se a orgânica celular que permite a vida, toda a vida e conquista-se elasticidade, pureza e beleza.

É preciso ter fibra

Nesta linguagem mais pura e próxima do planeta, elegem-se os materiais nobres, sustentáveis, preferencialmente provenientes do próprio local de construção, reconhece-se-lhe a sua resistência e beleza e delas se tira o melhor partido. Vingam a pedra, a madeira e com eles os tons autóctones, as texturas que se igualam dentro e fora e um equilíbrio que, embora nascido da mão que faz, parece divino e pré-existente a qualquer ação. Dobram-se arestas e confere-se emoção ao desenho, às casas, aos objetos e às pessoas que com eles vivem e convivem. Bem perto de tudo isto, humaniza-se a existência e rejeitam-se falsidades e agressividades e deixa-se espaço ainda para incorporar muito mais, até mesmo tecnologia de ponta, como já se verifica na arte, arquitetura, engenharia e no design sofisticado. Porque o design orgânico e natural não se fixa em ambientes rústicos ou atmosferas campestres e étnicas, ele evoca-se também no design mais contemporâneo, onde não falta tecnologia nem maquinaria de última geração.

O que ganha força, já que vida sempre a teve, são peças que fazem o elogio de tudo isto, recuperando e restaurando, inventando funcionalidades em objetos, ou nem isso, em meros toros por exemplo, que transforma em algo mais. Em beleza, por exemplo. Integrando imperfeições na perfeição. É o caso, julgamos crer, dos candeeiros de madeira natural Light It Be. Pelo menos, é isso que nos inspira e os ilumina. Bem como algumas lâmpadas, claro está!

Interiores cálidos e apetecíveis

Na decoração, esta tendência, cada vez mais lógica e procurada, define-se pelo uso de madeiras com pouco ou nenhum polimento, texturas e padrões orgânicos como os que proliferam na flora e fauna, materiais puros sem grandes processamentos ou interferências, bambu e canas, tons crus e naturais, pelo, lã, seda, fibras vegetais em estado puro ou perto disso, têxteis 100% orgânicos e sem tingimentos, pedra, cal, barro e cerâmica. Regressamos à natureza das coisas e isso traz-nos de volta a Natureza incluindo a nossa. Deixamos falsos artifícios e fixamo-nos na fiel matéria, sabendo nela ver beleza, reconhecer sabedoria, resistência e arte. Decora-se com plantas, vegetação, paredes vegetais. É o regresso dos jardins suspensos, verticais e outros, que tosos são bem-vindos, e o elogio do natural. Sem maquilhagens. Sem disfarces ou artifícios. Tudo isto soa tão bem! Porque tudo isto é mais genuíno, sincero e puro. Tal como tudo deveria ser. Para podermos estar mais perto do que importa. Para votarmos todos a ser artesãos das nossas casas e das nossas vidas.

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