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Desert Mood – To all the lizard kings

Trazer o quase sagrado espírito do deserto para dentro de casa requer alma e coração. Requer amor pela Natureza e pela vida selvagem, pelas noites estreladas e dias tórridos em que os caminhos ousam ondular no horizonte vazio. Adorar esse grande e vazia espaço exterior implica um olhar natura e um claro entendimento holístico de todo e qualquer ecossistema, o apreço honesto e genuíno por tudo aquilo que nasce da terra, dela vem e a ela regressa, no normal e natural ciclo da vida, da chuva, das estações, da Terra e dos astros… É gostar das cores da poeira, dos céus infinitos e da vastidão do deserto, dos seus répteis e dos seus catos, seres que se adaptaram a viver sem água, ou com pouca, que do pouco ou quase nada fizeram muito e que ainda ousaram tornar o deserto belo e sedutor.

Minimalismo étnico

Solo rochoso ou arenoso, tons de ocre, cores de areia e solidão, verdes secos, muito secos, castanhos, os neutros taupe ou cor de rato – indecisa entre o castanho e o cinzento –, uns aromas de baunilha e outros tantos de rosa velho, todos os tons da terra e os incontornáveis bege. Também o preto e a antracite. Além do calor abrasador dos dias, também o frio gelado das noites, que o deserto é exigente, não permite caprichos outros que não os seus próprios e quem quiser que se adapte e respeite, que ali está-se sobre solo sagrado, silencioso e propício a excessos. Viver no deserto, melhor ainda, viver do deserto é ainda prestar homenagem ao artesanal, ao étnico e ao tradicional. É gostar das fibras naturais e do sisal conseguir fazer quase tudo e do barro outro tanto. São as cerâmicas rudes e rudimentares, os tecidos naturais e pouco ou nada processados, são os tons que replicam dentro as cores da vasta paisagem lá de fora. São os cestos e a madeira rude e sem vaidades e artefactos que se vão inventando, que o deserto é criativo e inspirador. Ensina a respeitar e a reciclar e a ver belo nas mais simples formas e nos mais básicos conceitos. Porque o simples nem sempre é belo, mas o belo é sempre simples.

A paisagem ensina a viver

A estética do deserto é quente e texturada, despojada e soberba, autossuficiente e orgulhosa. Tira da terra tudo aquilo de que necessita, nada mais do que isso, e mesmo quando de mais necessita é na terra que o inventa e fantasia. Assim, teares artesanais, fibras naturais, tingimentos vegetais e minerais, pele e pelo animal, barro e cerâmicas toscas, mas elegantes, cal e colmo, pedra e lajedo, madeira crua, terra e mais terra são parte integrante desta declaração de amor ao solo e à paisagem. Daí as texturas e os padrões étnicos, os recortes simples e a enorme paixão pelo defeito, porque o defeito é assinatura e mão na massa. O defeito é o orgulhoso “Fui eu que fiz!” e isso tem valor quando revela engenho e amor pelo que se faz, tal como acontece na nossa Oficina da Luz, onde nascem os nossos candeeiros Light It Be. Ainda que em plena extensão arenosa e desocupada, esta estética implica conforto e aconchego, lareira dentro e fora de casa, mesmo quando a casa tem apenas as estrelas como teto. O desert mood, por tudo o que aqui se diz e mais pelo muito que fica por dizer, é uma filosofia de vida, uma ode à Natureza, uma entrega à vida interior e à felicidade descomplicada. Afinal, ao observar a Natureza aprende-se a viver… e a ser mais feliz.

Era uma paisagem muito engraçada, não tinha água, não tinha nada

Não é preciso de ser-se fã do Burning Man para se entender tudo aquilo que dizemos. Basta conhecer o Alentejo em agosto às 15h, ou um areal atlântico com as brisas de final de dia a varrerem e a redecorarem as dunas, ou uma serra rochosa e desprotegida de artifícios ou adereços. Falamos desse silêncio divino, dessas paisagens intocadas, as únicas, parece, capazes de chamar a si apenas aqueles que com elas pactuam em tudo, apenas aqueles que amam e respeitam a vida lá fora tanto quanto a vida cá dentro. Seres que falam a mesma linguagem e que comunicam através do muito que partilham e daquela capacidade de inventar e se adaptar, sem queixumes, apenas gratidão pela beleza da paisagem, pela paz de espírito e pelo engenho de saber falar a mesma língua de todos os outros elementos. Gente capaz de celebrar a água e a chuva com toda a pompa que a água e a chuva merecem, que encontram beleza em qualquer ser vivo, rastejante ou voador. Este tipo de atração pelo ADN dos desertos, pelo sagrado solo faminto, é gerador de uma estética muito própria, onde com barro e palha se constroem casas e dos catos se fazem fibras resistentes e pedaços de esperança. Paisagens agrestes, minimais e minimalistas, mas ricas em artesanato, procuradas por homens e mulheres autossuficientes, engenhosos e espirituais. Ou apenas solitários. Indivíduos que convivem melhor com a vida selvagem e a nobre Natureza do que com aglomerados de gente de outras vontades. Indivíduos capazes de apreciar o nobre exotismo de um pedaço de madeira que dá luz e de uma luz que aquece uma vida.

Uma prece à Natureza

Esta não é apenas uma estética rude e atrativa, é uma fé, uma religião, uma ponte com o passado e os nossos antepassados. Tempos em que a vida seria mais difícil, mas que se mostrava mais grata e satisfeita. Pois tudo isso está muito vivo no peito de pessoas que apostam numa vida mais simples e gratificante, mais pura e honesta, mais ecológica e respeitadora do ecossistema em que se inserem, sem jamais descurarem a beleza. Que constroem com os elementos da terra, o barro e a pedra locais, que erguem casas e objetos baseando-se em formas ancestrais e respeitadoras do fazer manual, sem maior intervenção do que a necessária e sem poluição ou excedentes. Uma pedra não tem de ser mármore imaculado e um mineral não tem de ser ouro puro para ser útil e belo, menos ainda precisa de dar a volta ao mundo para chegar à bancada de uma cozinha ou ao chão de uma sala, ou ao dedo de alguém que se ama. Porque amar de verdade é saber dar valor, conseguir valorizar seguindo como único código o do coração e dos sentidos. Se cá dentro nos parece belo, é belo seguramente. Assim é o mood do deserto tal como o entendemos. Assim é esta estética, uma daquelas que melhor se encaixa com o espírito e o tipo de beleza dos nossos candeeiros Light It Be, de madeira natural, feitos à mão e com paixão. Também eles homenageiam essas formas despojadas, mas elegantes e nobres de estar perante o mundo e a vida. Simplesmente naturais e puras, independentemente das contingências do clima ou das modas. Apetece mesmo ‘desertar’ por aí!

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